Jovens aumentam peso no crédito à habitação em 2024
Em 2024, 44,5% dos novos contratos de crédito à habitação foram assinados por jovens até 35 anos, impulsionados por medidas de apoio governamental.

O peso dos jovens no crédito à habitação aumentou em 2024, refletindo uma maior participação nesta faixa etária no mercado imobiliário. De acordo com os dados mais recentes, 44,5% das pessoas que recorreram a financiamento para compra de casa tinham entre 18 e 35 anos, um crescimento de dois pontos percentuais face ao ano anterior.
Este aumento surge num contexto em que o Governo implementou medidas de apoio destinadas a facilitar o acesso dos jovens à habitação própria. Entre estas iniciativas, destaca-se a autorização do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) e do Imposto de Selo para a primeira aquisição de habitação própria e permanente. Além disso, foi criada uma linha de garantia pública para jovens até 35 anos , que entrou eficazmente em vigor em 2024, permitindo um maior acesso ao crédito à habitação sem necessidade de avultadas entradas iniciais.
O montante total contratado também registou um crescimento expressivo, com 44,5% dos empréstimos concedidos a pessoas entre os 18 e os 35 anos. Em contrapartida, as faixas etárias entre os 36 e os 45 anos viram a sua representatividade no mercado de crédito à habitação diminuída. Este fenómeno pode estar relacionado com a estabilização financeira de pessoas mais velhas, que já possuem habitação própria ou alternativas de investimento privado.
Outro factor relevante é o aumento da presença de estrangeiros no mercado de crédito à habitação em Portugal. Em 2024, o peso dos devedores estrangeiros subiu para 14%, sendo metade destes cidadãos de nacionalidade brasileira. Esta tendência pode ser explicada pela atratividade do mercado imobiliário português e pelas condições competitivas oferecidas pelos bancos.
A nível geográfico, a maioria dos contratos de crédito à habitação foi realizada na Grande Lisboa e na Área Metropolitana do Porto , com 22% e 18% das operações, respetivamente. Estes números refletem a concentração populacional e a forte procura imobiliária nestas regiões, onde os preços das habitações continuam a pressionar os orçamentos familiares.
O volume total de contratos celebrados em 2024 atingiu os 90 mil, envolvendo cerca de 138 mil pessoas. Este número representa um crescimento de 32% face a 2023, demonstrando um dinamismo crescente no setor imobiliário. No entanto, metade dos contratos envolve montantes iguais ou inferiores a 130 mil euros, evidenciando a dificuldade dos jovens em aceder a habitações de maior valor.
Uma análise do perfil dos mutuários revela que 84% dos jovens que recorreram ao crédito à habitação trabalham por conta de outrem e 61% possuem formação superior. Isto reforça a importância de políticas de apoio direcionadas a esta faixa da população, uma vez que o aumento das taxas de juro e o aumento dos preços da habitação representam desafios significativos para os primeiros compradores.
Em paralelo, os bancos têm vindo a ajustar as suas políticas de concessão de crédito à habitação, oferecendo condições mais atrativas para os jovens, incluindo prazos de financiamento mais alargados e taxas mais competitivas. Estas medidas visam mitigar o impacto das restrições financeiras e proporcionar melhores condições para a aquisição da primeira casa.
Além do crédito à habitação própria permanente, o Banco de Portugal também monitoriza o “outro crédito à habitação”, destinado à compra de segundas residências ou imóveis para arrendamento. Neste segmento, os devedores estrangeiros foram responsáveis por 45% do valor total dos empréstimos concedidos, reforçando a importância dos investidores internacionais no mercado português.
No total, em 2024 foram celebrados 2,2 milhões de novos contratos de crédito, abrangendo diversas modalidades como crédito pessoal e automóvel, num valor global de 29 mil milhões de euros. No segmento do crédito pessoal, 593 mil pessoas recorreram ao financiamento, sendo que metade dos contratos envolvidos montantes até 3.500 euros.
Os dados demonstram que o crédito à habitação continua a ser um dos principais instrumentos para a concretização do sonho da própria casa, especialmente entre os jovens. Com medidas de apoio reforçadas e um mercado dinâmico, esperamos que a tendência de aumento da participação dos jovens neste setor se mantenha nos próximos anos.